bebericamos o serão até à última, aproveitando a oportunidade para matar saudades e pôr as histórias em dia, até o cansaço nos vencer e cairmos no sofá da rita e do fabrice, onde dormimos os 4 aconchegados. adormecemos sem pensar em hora de levantar. esta chegou naturalmente, tão naturalmente como a mesa de pequeno-almoço que entretanto se formou: cafés, pão, nutela, doce de rainhas-cláudia colhidas nas semanas anteriores... o convívio matinal despertou-nos suavemente. ajudámos o tiago a carregar a OphéliA para a sua longa viagem para berlim e de balanço procedemos à colagem oficial de uma ovelha basca na nádega esquerda da nossa companheira de tantas viagens. uma homenagem a pontos de ovelha passados e futuros. parte do propósito da nossa viagem passava por este momento, por estes abraços e desejos de boa viagem. tanto quanto o sentimos, o tiago estava a partir naquele momento de portugal. não sabia a estrangeiro.
trener. verbo de difícil tradução que corporiza o que foi o resto da manhã e início de tarde pelas ruas de bordéus, vagueando por aí, com um pulo à faculdade de medicina dentária no entretanto. o nosso passeio só ganhou mais direção quando a rita se juntou a nós após o almoço e nos fez um pequeno tour pelas ruas, até à frente rio, aos restos de muralhas e a um merecido café numa esplanada francesa. apetecia simplesmente deixar-se ficar, e fomos ficando, mas ainda havia um objetivo importante para o dia: o pôr do sol na duna du pilat. deixámos a moleza para trás e seguimos.
chegámos à duna rés vés pôr do sol, mas ainda a tempo de ver com luz a imponência deste monumento natural e passearmos junto à agua. sem o sabermos, a nossa viagem dirigira-se toda para este local, para este momento. como que a uma meta que se revela como tal apenas quando a vista a contempla. sentámo-nos na duna, vendo de um ponto alto a imensidão do bassin d'arcanchon e o céu azul escuro do início da noite misturando-se com os amarelos e laranjas deixados pelo sol depois de mergulhar no mar. o som constante das ondas. no céu, a primeira estrela da noite. respirámos fundo.
fizemos o caminho de volta para o carro já às escuras, subitamente recordados da existência dos nossos estômagos e da necessidade de encontrarmos um poiso para a noite. por essa altura, a dor de ouvidos que vinha acompanhando a ana desde bordéus atingiu um pico como otite e baralhou as contas. a prioridade passou a ser uma farmácia, encontrada em biscarosse. mesmo ao lado de uma pizzaria de atendimento português, onde matámos a fome e sede, entre pizzas salgadas, doces e rosés. adormecemos num pinhal.

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